quinta-feira, 31 de outubro de 2019

Mulher pode morrer se virar a cabeça para o lado errado


Diagnosticada com diversas doenças na medula espinhal, Rachel Pighills procura tratamento que lhe devolva os movimentos do pescoço


inglesa Rachel Pighills, 33 anos, vive uma situação no mínimo inusitada. Um simples giro de cabeça à esquerda pode deslocar sua coluna cervical, o que colocaria sua vida em risco. Rachel planeja viajar à Espanha em busca de um tratamento, pois seu pescoço tornou-se incapaz de suportar o peso da cabeça, limitando demais os movimentos que ela consegue fazer.


Em julho, Pighills foi diagnosticada com várias doenças que afetam sua medula espinhal e cabeça, incluindo invaginação ou impressão basilar. Isso significa que seu crânio afunda sobre sua coluna vertebral, pressionando o tronco. “Meu cérebro entra em colapso sobre meu canal medular, e a parte de trás da minha cabeça fica instável e se desloca parcialmente quando eu viro para a esquerda. Se deslocar completamente, isso seria uma decapitação interna, e eu morreria instantaneamente”, disse a inglesa à BBC.

Rachel diz que apenas três cirurgiões em todo o mundo podem realizar a operação que lhe devolverá os movimentos. A cirurgia foi estimada em US$ 174 mil, cerca de R$ 700 mil. Até agora, ela conseguiu arrecadar cerca de US$ 15 mil – menos de 10% do valor total. Nenhum dos profissionais está no Reino Unido, local em que a paciente vive atualmente.

O problema foi detectado em agosto de 2017, quando Pighills passou a tomar um remédio para tratar um distúrbio que causa hiperatividade no sistema imunológico. Os médicos chegaram a suspeitar de um tumor no cérebro, o que foi descartado após uma ressonância magnética. Um novo diagnóstico foi dado em outubro de 2017, quando Pighills descobriu que tinha doença de Addison. Também chamada de insuficiência adrenal, essa doença se caracteriza pelo fato de o corpo não produzir os hormônios esteroides de maneira suficiente. Rachel passou a fazer um tratamento para repor esses hormônios e corrigir seu nível de cortisol.

Em agosto de 2019, ela e sua família se mudaram para diminuir o trajeto entre a casa deles, o trabalho e a escola da filha. No novo lar, Rachel bateu a cabeça no ventilador de teto, e os sintomas se agravaram.

Ao pesquisar na internet, ela descobriu que os sintomas que sentia eram semelhantes aos da síndrome de taquicardia postural ortostática (POTS), um aumento da frequência cardíaca que ocorre sempre que a pessoa fica em pé ou sentada, e que pode causar tontura e enjoos. Com os sintomas persistindo, ela fez novas visitas ao clínico geral e acabou sendo encaminhada a um cardiologista. Exames revelaram que o coração dela estava batendo mais rápido que o normal, o que a levou a ser diagnosticada com POTS. Em maio, um neurologista a diagnosticou com malformação de Chiari, problema que ocorre quando o tecido cerebral se estende para o canal medular.


Em junho de 2019, outro neurologista a diagnosticou com platybasia, um achatamento anormal na base do crânio. Rachel também foi diagnosticada com invaginação basilar, que ocorre quando a parte superior da coluna empurra a base do crânio, causando beliscões e pressionando o tronco cerebral.

Os médicos acreditam que todos esses problemas podem ter sido causados por um distúrbio do tecido conjuntivo ocasionado por baixas taxas de colágeno, substância vital na construção desse tecido. Pighills também tem instabilidade atlantoaxial (compressão da medula espinhal), o que lhe causa dificuldades em mover o pescoço, platibasia (achatamento da base do crânio) e síndrome da coluna cervical, causada pela compressão cerebral. A esperança agora é conseguir a quantia necessária para se submeter ao tratamento.
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