Segundo a paciente, o objeto foi usado na tentativa de aliviar constipação e precisou ser retirado em hospital. Especialistas explicam por que o intestino pode “sugar” o item e orientam sobre uso seguro.
Uma mulher precisou ser internada após um plug anal ficar
preso no intestino. O objeto havia sido introduzido por ela na tentativa de
aliviar a constipação, mas acabou “subindo” e não pôde ser retirado
manualmente. Médicos alertam sobre os riscos na forma de uso desse tipo de
sex toy.
➡️ O que é o plug anal? O plug é um acessório desenvolvido para ser introduzido no
ânus e pode ter diferentes formatos e funções. Ele pode ser usado como um
estimulador da região anal na hora do sexo ou como um dilatador. No segundo
caso, as pessoas passam algumas horas usando o sex toy para dilatar a
musculatura e facilitar na hora do sexo.
— Max Ribeiro (@max_ribe_29) April 10, 2026
O caso foi atendido pelo cirurgião coloproctologista Daniel
Brosco. Segundo o médico, a paciente contou que, na verdade, estava usando o
sex toy para ajudar com a constipação intestinal, e não com finalidade sexual.
O médico alerta que isso é contraindicado.
“A paciente contou que colocou o objeto no ânus por volta das
7h. Pouco mais de duas horas depois, ao sentar, percebeu que ele tinha subido e
precisou buscar atendimento médico”, explica o médico.
🔴 Como isso acontece? O intestino pode “sugar” esses objetos por causa dos
movimentos peristálticos — contrações involuntárias responsáveis pelo
funcionamento do órgão — ou pelo vácuo criado em áreas como o reto.
O médico explica que a paciente tinha um quadro de pólipos no
intestino — quando a mucosa apresenta um crescimento anormal que pode evoluir
para câncer. Com isso, a parede intestinal era mais sensível, aumentando o
risco de perfuração.
Brosco afirma que ela passou pelo procedimento para retirada
do objeto e passa bem, mas que o caso é um alerta sobre o uso desse tipo de
brinquedo. O uso inadequado pode levar a complicações como lacerações,
sangramentos e perfurações intestinais — especialmente em pacientes com
condições prévias que tornam a mucosa mais sensível.
O médico explica que a região anal é uma importante zona
erógena e pode ser explorada de forma segura.
“O ideal é buscar acessórios que tenham bases mais largas
para evitar que subam, ou até mesmo uma corda, e que tenham pontas mais
arredondadas para evitar perfurações. Se for usar, use com responsabilidade e
procure alguém para te instruir”, orienta.
O que fazer para explorar a região anal de forma segura?
- Use
sempre lubrificação: o gel minimiza o atrito, a dor e o risco de lesões,
que podem servir de porta de entrada para infecções.
- Prefira
objetos com travas ou cordas: acessórios específicos para uso anal devem
possuir uma base que impeça que o objeto “suba” para o reto.
- Não
improvise: o uso de objetos não destinados a esse fim (como garrafas,
alimentos ou peças de móveis) é extremamente perigoso e pode causar
infecções generalizadas e morte em caso de perfuração.
- Cuidado
com o tempo de uso: o uso prolongado (por horas) de plugs como
“dilatadores” pode causar incontinência fecal, pois relaxa excessivamente
a musculatura do esfíncter.
- Em
caso de acidente, não use laxantes: a contração intestinal causada pelo
medicamento pode empurrar o objeto ainda mais para cima ou causar uma
perfuração.
Sexo anal seguro
🔴 O primeiro ponto é o uso de lubrificantes, já que a área não tem
lubrificação natural. Mais do que aumentar o prazer, o gel reduz o atrito,
diminui o risco de dor e de lesões e ajuda a evitar pequenas feridas, que podem
facilitar a transmissão de infecções.
🔴 Outro tema levantado por especialistas é a higiene antes da relação,
conhecida popularmente como “chuca”, nome dado à limpeza interna do ânus e do
reto. Muitas pessoas adotam essa prática para evitar situações constrangedoras,
mas ela deve ser feita com cautela.
Segundo os médicos, um dos principais riscos está em
introduzir objetos no ânus para a limpeza, como a ducha do chuveiro, objetos
pontiagudos ou garrafas — o que é totalmente contraindicado.
Os proctologistas reforçam que a lavagem não é obrigatória.
Mas, se for feita, deve usar a menor quantidade de água possível e sem pressão,
para evitar que ela alcance o reto. Além disso, a prática não deve ser
frequente, já que a região possui microrganismos importantes para o equilíbrio
da flora intestinal e a saúde do intestino.
