Agrônoma de 38 anos diz que foi surpreendida durante corrida em grupo e faz alerta para que outras mulheres denunciem casos de importunação sexual.
Uma agrônoma, de 38 anos, foi vítima de importunação sexual
enquanto treinava corrida na manhã de terça-feira (28), no centro de Dourados
(MS). O caso aconteceu por volta das 5h50, no cruzamento das ruas Albino
Torraca e Onofre Pereira. A vítima registrou um boletim de ocorrência na
Delegacia de Atendimento à Mulher (DAM).
Segundo a corredora, ela pratica atividades físicas há mais
de quatro anos e nunca havia passado por uma situação semelhante. Naquele dia,
treinava com outras três mulheres, como faz regularmente. A Polícia Civil
investiga o caso. O suspeito não foi identificado.
Conforme o relato da vítima, o grupo treinava ao redor de uma
quadra quando o homem, que estava de bicicleta, se aproximou rapidamente e
passou a mão nas nádegas da vítima. Em seguida, fugiu pedalando.
"Foi tudo muito rápido. Normalmente eu desvio quando
vejo alguém se aproximando, mas dessa vez nem consegui perceber o rapaz
chegando. Ele simplesmente passou a mão em mim e foi embora como se nada
tivesse acontecido", contou.
A agrônoma disse que ficou muito abalada com o ocorrido. Ao
chegar ao local onde o grupo treinava, começou a chorar e avisou os colegas e o
treinador. Eles ainda foram até a esquina na tentativa de localizar o suspeito,
mas ele já havia deixado o local.
"Eu me senti invadida, desrespeitada. Ninguém pode nos
tocar dessa forma", afirmou.
Após compartilhar o episódio, a corredora conta que descobriu
que outras mulheres também sofreram situações parecidas em diferentes regiões
da cidade.
"Percebi que não é um caso isolado. Existem relatos na
região dos condomínios, nos parques, nos bairros e também na Avenida Guaicurus.
Uma amiga chegou a ser perseguida enquanto treinava corrida, registrou boletim
de ocorrência, mas infelizmente não deu em nada", relatou.
Apesar do trauma, a vítima decidiu continuar treinando e
recebeu apoio do grupo de atletas.
"Eu sei que a gente não pode se esconder. O pessoal do
box me acolheu e já está pensando em formas de tornar os treinos de corrida
ainda mais seguros. Tenho recebido mensagens de apoio de homens e mulheres que
também estão indignados com essa situação", disse.
Ela afirma que também frequenta outros locais para praticar
corrida e ciclismo e que os relatos de importunação sexual são frequentes entre
as mulheres que treinam na cidade.
"É muito triste ouvir tantas histórias. Mesmo quando há
boletim de ocorrência e, às vezes, o autor é identificado, muitos acabam sendo
soltos. Isso faz a gente se perguntar que segurança temos para correr nas
ruas."
A vítima também cobrou medidas das autoridades para combater
esse tipo de crime.
"As autoridades precisam fazer algo urgente. É preciso
investir em sistemas de monitoramento, com tecnologias que ajudem a identificar
quem pratica esse tipo de violência. Enquanto isso não acontece, espero que meu
relato sirva de alerta para que outras mulheres denunciem. Muitas já vieram me
agradecer por falar sobre o assunto. Nós não vamos parar."
