A farmacêutica Dipa Kamdar explica que essas interações podem potencializar efeitos colaterais ou reduzir a eficácia do tratamento. Em alguns casos, o impacto é tão forte que pode comprometer o controle de doenças crônicas.
Mistura perigosa
O café é quase um ritual sagrado para começar o dia,
desperta, anima e até melhora o humor. Mas essa mesma bebida pode virar vilã
quando misturada a certos medicamentos. A cafeína, apesar de natural, é um
estimulante poderoso que pode interferir na ação de substâncias químicas
presentes em remédios comuns.
A farmacêutica Dipa Kamdar, em entrevista ao jornal The
Independent, explica que essas interações podem potencializar
efeitos colaterais ou reduzir a eficácia do tratamento. Em alguns casos, o
impacto é tão forte que pode comprometer o controle de doenças crônicas.
Um simples gole de café pode, por exemplo, anular parte do
efeito de um remédio para tireoide ou transformar uma dose para gripe em uma bomba
de agitação. Por isso, entender quais medicamentos não devem ser tomados com
café é fundamental.
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A seguir, veja as principais combinações que exigem cuidado —
e por quê.
Problema
Alguns medicamentos atuam diretamente no sistema nervoso, e a
cafeína só piora as coisas. É o caso dos remédios para gripe e
resfriado que contêm pseudoefedrina — um estimulante que, junto com o café,
pode causar nervosismo, insônia, dor de cabeça e batimentos acelerados.
Quem tem diabetes também deve ficar atento: estudos mostram
que essa mistura pode aumentar o açúcar no sangue, dificultando o controle da
doença.
O mesmo vale para medicamentos usados no tratamento de TDAH e
asma, que têm estrutura química semelhante à da cafeína. O resultado? Coração
disparado e dificuldade para dormir, sintomas que podem prejudicar o
tratamento.
E se você usa remédio para tireoide, como a
levotiroxina, atenção redobrada. Tomar café logo após o comprimido
pode reduzir a absorção do remédio em até 50%, o que significa mais cansaço,
ganho de peso e queda na imunidade.
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Antidepressivos e cardíacos
Quando o assunto é saúde mental, a interação com o café é
ainda mais delicada. Antidepressivos como sertralina e escitalopram
podem ter sua absorção prejudicada pela cafeína. Resultado: o
tratamento perde força e o paciente pode sentir nervosismo, sonolência e
confusão mental.
Nos analgésicos, o efeito é o oposto: o café pode acelerar a
absorção da substância, fazendo o remédio agir mais rápido. Mas o preço disso é
alto — o risco de irritação estomacal e sangramentos aumenta.
Já no caso dos medicamentos para o coração, a cafeína
pode elevar a pressão arterial e a frequência cardíaca, anulando justamente
o efeito que o tratamento busca controlar. Ainda assim, isso não significa
cortar o café de vez, mas sim moderar o consumo diário e evitar o hábito de
tomá-lo junto com os comprimidos.
Em resumo, o café continua sendo um aliado da energia, mas
quando se trata de medicamentos, é melhor manter uma certa distância.
Fonte: Meio News
