Vítimas, de 47 e 53 anos, estavam em um passeio de caiaque quando foram abordadas pelos ladrões em São Vicente (SP).
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| Assalto ocorreu dentro do mar em São Vicente (SP) — Foto: Reprodução |
O crime ocorreu neste domingo (21), a cerca de 100 metros da
faixa de areia da Praia dos Milionários. A gravação feita por uma testemunha
mostra diversas crianças brincando na beira do mar, enquanto o casal é abordado
pelos criminosos um pouco mais no fundo.
Nas imagens, é possível ver que os criminosos ficaram alguns
segundos em contato com o casal e pegaram os remos que eles estavam usando. Em
seguida, um ladrão chegou a bater com o objeto na cabeça de uma das vítimas.
O vídeo ainda mostra o momento em que a dupla se afasta do
casal, levando os remos. Logo depois, os ladrões abandonam os objetos no mar e
aceleram a moto aquática.
Relato da vítima
Conforme apurado pelo g1, o casal mora na região
e havia comprado o caiaque recentemente. A mulher, de 47 anos, que terá a
identidade preservada, contou que era a primeira vez dela na embarcação.
Ao g1, ela relatou que os criminosos se
aproximaram com a moto aquática e deram uma derrapada para jogar água
no caiaque. Em seguida, a dupla pediu desculpas e gritou para outra
moto aquática a frase: "É casal".
Em seguida, os suspeitos anunciaram o assalto, pedindo as
alianças. "Começou a andar em círculo em volta da gente apavorando. Aí deu
aquela desestabilizada", relembrou a mulher, dizendo que o marido, de 53
anos, tentou argumentar com os criminosos informando que eles
eram moradores da cidade.
Porém, a dupla começou a perder a paciência. "Eles
aproveitaram que o nosso remo caiu no mar e começaram a bater no meu
marido", afirmou. A mulher contou que ele ficou com ferimentos na perna e
na cabeça.
"Começaram a bater nas costas, na nuca, na cabeça. Eu
fiquei em pânico porque eu falei assim: se ele desmaia aqui, morre
afogado".
A vítima ainda disse que, depois das agressões, eles
entregaram as alianças aos ladrões e rapidamente a dupla fugiu.
Revolta
Após o crime, o casal recebeu ajuda de testemunhas. De acordo
com a mulher, o marido saiu do mar tonto por conta das agressões e
ela foi até um policial que estava na base da Operação Verão para pedir apoio.
Porém, o agente disse que não tinha o que fazer.
"Foi uma sensação horrível, de impunidade",
afirmou.
A vítima disse que também foi na delegacia, onde recebeu
ajuda para registrar um boletim de ocorrência online. No entanto, ela pede
mais atitude dos órgãos de segurança e políticos da região.
"Precisa ter policiamento no mar", enfatizou.
Polícia
Em nota, a Polícia Militar disse que, nos casos de infrações
penais já consumadas e em que não se configure a situação de flagrante delito,
a providência adequada consiste na formalização do respectivo registro de
ocorrência junto ao Distrito Policial competente.
"Tal medida tem por finalidade subsidiar o planejamento
das ações preventivas da Polícia Militar, bem como apoiar as atividades de
polícia judiciária e investigativas desenvolvidas pela Polícia Civil".
Prefeitura
Em nota, a Prefeitura de São Vicente informou que a
ocorrência foi atendida pela Polícia Militar. "Na noite deste domingo, a
Capitania dos Portos, com o apoio da Guarda Civil Municipal (GCM), realizou uma
fiscalização nas marinas da cidade, que estavam todas fechadas. Também foi
verificado que nenhuma embarcação estava no mar", afirmou.
Segundo a administração municipal, ninguém foi preso até o
momento. No entanto, a GCM intensificará a fiscalização nesta segunda-feira
(22).
Marinha
Em nota, a Capitania dos Portos de São Paulo informou que não
foi notificada oficialmente sobre o fato relatado. Segundo o órgão, a Marinha
do Brasil, por meio da Capitania, realiza ações de inspeção naval,
especialmente em Santos, São Vicente e Guarujá, "com foco na segurança da
navegação, na salvaguarda da vida humana no mar e na prevenção da poluição
hídrica, atuando dentro de suas atribuições legais, conforme a Lei 9.537/97 -
Lei de Segurança do Tráfego Aquaviário (Lesta)".
De acordo com a Capitania, questões específicas relacionadas
à segurança pública, como o caso em questão, são de competência dos órgãos de
segurança pública, responsáveis pela apuração criminal e adoção das medidas
cabíveis.
Procurada pelo g1, a Secretaria de Segurança
Pública de São Paulo (SSP-SP) não se manifestou até a publicação desta
reportagem.
