Bebê deverá ter acompanhamento médico contínuo após acidente com carregador

Menina passou por cirurgia após o acidente, recebeu alta e está em casa com a família, em Divinópolis (MG). Segundo o médico, o cérebro infantil tem alta capacidade de recuperação, mas exige acompanhamento ao longo do tempo.


A menina de 1 ano que teve um carregador de celular cravado na testa após cair da cama, em Divinópolis, recebeu alta hospitalar e já está com a família. Apesar da boa recuperação inicial, a criança deverá passar por acompanhamento neurológico contínuo, segundo o neurocirurgião Bruno Castro, responsável pelo atendimento.

De acordo com o médico, a boa evolução inicial é favorecida pela capacidade de recuperação do cérebro infantil.

“Crianças têm uma plasticidade neuronal muito boa, o que aumenta as chances de recuperação sem sequelas”, explicou.

No entanto, o especialista alerta que lesões cerebrais podem gerar cicatrizes no cérebro, conhecidas tecnicamente como gliose, que podem desencadear crises convulsivas epilepsia no futuro. Por isso, mesmo sem sinais imediatos de complicações, a menina precisará de acompanhamento neurológico ao longo do tempo.

Menina fica com carregador cravado na cabeça em MG — Foto: Bruno Castro/Arquivo Pessoal

A principal hipótese, segundo o neurocirurgião, é que a menina estivesse com o carregador na mão no momento da queda. Por azar, o objeto atingiu a cabeça de forma que perfurou a região frontal do crânio, muito próxima ao olho.

“Se tivesse atingido o olho, poderia ter causado perda da visão. Felizmente, isso não aconteceu”, afirmou.

Diante da gravidade do quadro, a criança foi levada imediatamente ao bloco cirúrgico do Complexo de Saúde São João de Deus (CSSJD), onde passou por procedimentos de limpeza, retirada do objeto, lavagem, fechamento e reconstrução da área atingida.

“A necessidade era imediata. Sem esse tratamento rápido, poderia evoluir para uma hemorragia ou uma infecção grave”, disse o médico.

Além do risco de lesão cerebral, o especialista explicou que situações como essa também apresentam alto risco de infecção, já que o empalamento rompe a barreira natural da pele e permite a entrada de micro-organismos no organismo.

“É um material que está sujo, tem germes. Quando isso entra no sistema nervoso, pode causar meningite”, explicou.


Alerta aos pais e responsáveis

O neurocirurgião também fez um alerta sobre a prevenção de acidentes domésticos. “Crianças pequenas, que ainda não têm controle para subir e descer da cama, caem com muita facilidade. A maioria dos acidentes acontece dentro de casa e, geralmente, envolve quedas”, afirmou.

Ele recomenda que bebês nunca sejam deixados sozinhos em locais elevados e que permaneçam em ambientes seguros.

“O ideal é colocar a criança no chão, em um espaço protegido, sem risco de queda e longe de objetos pontiagudos. O crânio da criança é muito fino, está em crescimento, e pode ser facilmente fraturado ou penetrado”, concluiu.


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