Delegado contou que animal estava com um biólogo. Segundo a polícia, ele havia deixado a cobra na casa de uma amiga em Aruanã, pois levaria o animal para uma palestra.

Cobra píton apreendida pela Polícia Civil, em Goiás — Foto: Reprodução/TV Anhanguera
A cobra píton de mais de 3 metros que foi filmada
"passeando" pelas ruas de Aruanã havia sido dada como presente
ao dono, segundo a Polícia Civil. O animal foi resgatado das ruas pelo Corpo de
Bombeiros e devolvido a um biólogo que afirmou ser o dono, até ser apreendido
pela polícia, informou o delegado Luziano de Carvalho.
O dono da píton não tinha documento válido que autorizasse a
criação do animal, informou a PC. Como o nome do homem não foi divulgado.
A apreensão aconteceu na segunda-feira (27), pela Delegacia
Estadual de Repressão a Crimes Contra o Meio Ambiente (Dema) de Goiânia.
Luziano afirmou que o biólogo havia deixado a cobra na casa de uma amiga em
Aruanã, pois levaria o animal para uma palestra.
"Ele ia fazer uma apresentação, uma palestra em um
aniversário, e deixou na casa de uma amiga em Aruanã e ela fugiu. Então essa é
a alegação dele", afirmou.
Ao delegado, o biólogo explicou que criava a cobra há sete
anos, quando teria ganhado de uma mulher que não foi localizada pela polícia.
Ele chegou a apresentar um documento de autorização para a criação do animal,
supostamente emitido pela Secretaria de Estado de Meio Ambiente e
Desenvolvimento Sustentável (Semad) de Anápolis, mas, segundo Luziano, o
documento não tem validade legal.
Luziano destacou que somente o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente
e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) pode emitir autorização para a
criação de animais deste tipo.
Após ser ouvido, o homem foi liberado e a Polícia Civil
investiga se há mais animais silvestres em posse do homem ou na região em que a
cobra foi encontrada. O delegado destacou que introduzir espécies de animais no
Brasil sem autorização é crime ambiental com detenção de até um ano e multa que
pode chegar a 360 salários mínimos.
Segundo o delegado, o dano ambiental que pode ser provocado
pelo animal é grave, já que, por não ser uma espécie nativa, a píton pode
causar desequilíbrio na região e se reproduzir com uma espécie similar, como a sucuri.
"O dano ambiental que pode causar é mil vezes mais grave
do que o crime", destacou Luziano.
O animal foi entregue ao Centro de Triagem de Animais
Silvestres (Cetas) de Goiânia, que deve destinar a cobra a um zoológico. A
origem da píton apreendida segue sendo investigada, informou o delegado.
Captura
A cobra foi capturada às margens do Rio Araguaia, em
Aruanã, no noroeste de Goiás. Segundo o delegado, a região é delicada e carece
de proteção ambiental, e a presença da cobra apresentaria um risco grave à
estabilidade do meio ambiente, caso tivesse permanecido na área.
A captura foi realizada na manhã do dia 21 de abril. Nas
imagens exibidas pela TV Anhanguera, é possível ver dois bombeiros manuseando o
animal — que chama atenção pelo seu tamanho e cor — para dentro de um
compartimento seguro, para que pudessem transportá-lo.
Segundo o biólogo Edson Abrão, a píton amarela, conhecida
também como píton birmanesa, é uma serpente não venenosa rara e considerada
pelo Ibama como animal silvestre exótico, com origem na Ásia e África.
A importação e criação do réptil são proibidas, com exceção
de casos autorizados pelo órgão de fiscalização ambiental.