Tutora do animal, de 49 anos, morreu após ser atacada pelo próprio cachorro da raça pitbull em Bacabal (MA). Especialista orienta sobre possíveis sinais de agressividade e a adaptação ao novo lar.
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| Mulher morre após ser atacada pelo próprio pitbull enquanto dava banho no animal, no MA — Foto: Reprodução/Redes Sociais |
O cachorro da raça pitbull que atacou a própria dona
dentro de casa, no povoado Cordeiro, na zona rural de Bacabal, a km de São
Luís, já vivia com a família há cerca de dois anos e foi adotado ainda na fase
adulta.
Maria José Mariano, de 49 anos, tutora do animal, não resistiu aos ferimentos
causados pelo ataque e morreu. Segundo o Corpo de Bombeiros Militar do
Maranhão, ela estava dando banho no cachorro no momento em que foi atacada.
O caso acende um alerta sobre a adaptação de animais adotados
na fase adulta, já que a convivência em um novo lar exige atenção e
conhecimento por parte dos tutores.
Ao g1, o médico veterinário Valdemiro Júnior
explicou que a socialização de cães adultos é, na verdade, um processo de
“ressocialização”, que envolve a incorporação de novos hábitos. Segundo ele,
animais adotados nessa fase podem carregar traumas e até comportamentos
agressivos desenvolvidos com antigos tutores.
“A socialização de cães adultos é, na verdade, uma
ressocialização de um animal que já tem hábitos pré-formados. Isso porque um
cão adulto já traz comportamentos derivados de outros criadores. Ele pode ter
tido tanto experiências positivas quanto traumas, que influenciam diretamente
na adaptação a um novo dono”, explicou o veterinário.
Como identificar sinais de agressividade 🔎
Criação da raça pitbull requer dedicação, dizem especialistas — Foto: Reprodução/ EPTV
O especialista ressalta que o tutor deve buscar informações
sobre comportamento animal para conseguir identificar sinais e agir de forma
adequada.
“O tutor precisa ter habilidade para compreender o
comportamento canino. Por isso, é fundamental buscar conhecimento. Não é
simples, mesmo profissionais com 10 ou 15 anos de experiência precisam analisar
o animal com muita cautela antes de chegar a um diagnóstico”, afirmou Valdemiro
Júnior.
O médico veterinário também destaca que identificar se
um cão é potencialmente agressivo exige análise cuidadosa, embora alguns sinais
possam indicar tensão no animal.
Entre eles estão orelhas posicionadas para trás, corpo
rígido, olhar fixo e postura defensiva. Em
alguns casos, o cão pode ainda rosnar ou demonstrar incômodo com a
aproximação de pessoas, indicando que se sente ameaçado ou desconfortável.
“Existem aspectos que podem ser observados logo de início,
como a posição das orelhas. Quando estão muito para trás, o animal pode estar
tenso. Nesses casos, não é recomendável tocar a cabeça, pois o cão pode
interpretar o gesto como uma afronta. Aproximar o rosto também pode ser
entendido como ameaça, principalmente quando não há vínculo com o animal”,
explicou.
Como agir sob risco de ataque? ⚠️
- Mantenha
a calma e se afaste sem dar as costas para o animal, este gesto transmite ao animal
a ideia de que ele possuí autoridade sobre o humano;
- Não
corra;
- Não
bata ou jogue objetos no animal;
- Não
pegue o cão pela pata. A ação pode provocar mordidas.
Se não for possível impedir o ataque, a recomendação para
separar o animal é realizar asfixia mecânica (travar o pescoço do cachorro com
uma corda, para cortar sua respiração e fazer com que ele abra a boca para
respirar).
Entenda o caso
Maria José Mariano, de 49 anos, morreu na noite de
segunda-feira (13) após ser atacada pelo próprio cachorro da raça pitbull,
dentro de casa, no povoado Cordeiro, na zona rural de Bacabal, no interior do
Maranhão.
Segundo o capitão Brandão, do Corpo de Bombeiros do Maranhão,
a mulher estava dando banho no cachorro quando foi atacada. O companheiro da
vítima, Lourival Douglas Alves da Silva , de 61 anos, chegou à casa e encontrou
a esposa já sem vida, com ferimentos graves.
O cachorro vivia com a família há cerca de dois anos e foi
adotado já adulto. Segundo vizinhos, o animal já havia apresentado
comportamento agressivo em outras ocasiões, e o casal teria sido alertado sobre
os riscos. O companheiro da vítima também teria relatado episódios anteriores
de agressividade do cachorro.
Com medo e sem conseguir sair da casa devido à agressividade
do cachorro, o homem se trancou em um dos cômodos e acionou a polícia. Em
seguida, a Polícia Militar pediu apoio ao Corpo de Bombeiros.
De acordo com o Corpo de Bombeiros, equipes tentaram conter o
cachorro sem feri-lo, usando equipamentos de contenção, como um enforcador. No
entanto, por causa do porte do animal e do comportamento extremamente
agressivo, a tentativa não teve sucesso.
Segundo o capitão, o companheiro da vítima apresentava sinais
de desespero e mal-estar, relatando que estava passando mal enquanto permanecia
trancado. Diante do risco à vida dele, a Polícia Militar interveio, e o pitbull
foi morto com um disparo de arma de fogo.
Por meio de nota, a Polícia Militar do Maranhão (PMMA)
informou que após a intervenção, foi possível garantir a segurança do local. E
o caso foi encaminhado às autoridades competentes para os procedimentos legais
cabíveis.
