Isabelle Caracristi, de 22 anos, foi encontrada morta no último domingo (13) em área externa de prédio onde morava com namorado, João Munhoz Neto. Ele é procurado pela polícia.
A polícia do Ceará procura João Munhoz Neto, namorado
da jovem encontrada morta num prédio de Fortaleza há uma semana. Imagens
divulgadas neste domingo (20) mostram os últimos momentos da estudante de
Direito Isabelle Caracristi, de 22 anos, viva.
Os dois moravam juntos. A mãe do namorado, Sara Regina
Alexandre Munhoz, foi localizada também neste domingo pela polícia numa
praia de Caucaia, na Grande Fortaleza, e teve o celular apreendido.
A Polícia Forense voltou com drones ao edifício do bairro
nobre de Fortaleza (CE), onde o corpo de Isabelle foi encontrado em uma área
externa.
Manifestantes também se reuniram em frente ao prédio, pedindo
respostas para esse caso que ainda a polícia ainda não esclareceu.
Em nota, a Secretaria de Segurança Pública do Ceará informou
que os exames realizados mostraram lesões no corpo compatíveis com impacto
contra o solo. Exames laboratoriais deram resultado negativo para substâncias
toxicológicas.
A estudante morava no prédio havia algumas semanas com João,
um irmão e a mãe dele. Sara Regina é coordenadora de execução da saúde
prisional da Secretaria de Administração Penitenciária.
Isabelle e João se conheceram em julho, em um escritório de
advocacia onde ele trabalhava e ela era estagiária.
Ela reclamava para a própria mãe, Isorlanda Caracristi, do
comportamento ciumento e possessivo do namorado.
"Ela começou a me relatar que bastava ela descer para
lanchar com as amigas do trabalho e, quando via, ele já estava lá junto. Quando
ela descia, às vezes, para comprar um remédio na farmácia quando sentia cólica,
ele já estava lá. Reclamava que ele era muito ciumento, que para onde ela ia,
ele tava também", disse Isorlanda.
No último domingo (13), Isabelle passou o dia na casa da mãe.
À noite, Isorlanda recebeu uma mensagem da filha, que reclamava de um
torcicolo.
"Ela disse assim pra mim: 'Olha, eu vou descansar um
pouco, porque tá doendo ainda'. Eu disse: 'pois não esqueça de tomar o
relaxante muscular'. Ela disse 'te amo, mãe', e disse 'te amo minha filha'".
A última mensagem de Isabelle foi às 19h22. Imagens da câmera
de segurança do prédio, obtidas pelo Jornal Diário do Nordeste, mostraram
Isabelle chegando ao prédio às 17h58 da tarde.
João desceu para buscar a namorada na portaria, e eles
subiram juntos no elevador. Às 18h33, João deixou o prédio com outra roupa.
Antes, no elevador, pareceu trocar de anel na mão direita.
Às 19h12, dez minutos antes da última mensagem enviada para a
mãe, Isabelle entrou no elevador a caminho da cobertura do prédio, no 23°
andar. O apartamento do namorado ficava mais abaixo, no 15° andar.
Segundo a polícia, Isabelle morreu às 20h40, quase uma hora e
meia depois. As imagens também mostram João voltando ao prédio às 22h48. O
carro da perícia forense já estava na garagem.
Outras imagens das câmeras de segurança do prédio são
analisadas pela polícia, que já colheu quatro depoimentos e deve ouvir mais
quatro pessoas nos próximos dias.
O laudo do exame realizado no corpo deve sair até o início de
outubro.
Isorlanda só soube da morte da filha quando foi ao prédio no
dia seguinte, depois de tentar contato com João, que não respondia.
"Liguei pra ele várias vezes. Nada [de resposta]. Aí eu
disse 'como é que é isso?', até que eu me toquei que a imagem dele não tava
mais no WhatsApp e que eu tinha sido bloqueada".
O Fantástico tenta contato com a mãe de João desde
sábado (19), mas não obteve retorno.
"Certo, ninguém está. E alguém da família podia ter tido
a dignidade de entrar em contato comigo, e ninguém entrou. Eu quero respostas.
Por que não me avisaram? Por que fugiram? Por que até hoje ninguém entrou em
contato comigo? Eu quero essas respostas e quero justiça pra minha filha".
