terça-feira, 8 de outubro de 2019

O que acontece com o corpo quando dormimos menos de oito horas? Resposta fará rever seus conceitos




Do UOL - Nervos à flor da pele e falta de atenção podem ser sinais de dívida. E quem está cobrando é o seu sono. É verdade que uma única noite mal dormida pode ser recuperada na noite seguinte. O problema é quando isso não ocorre e as horas a menos de sono vão se acumulando.

O resultado da falta do descanso necessário para o nosso corpo é uma série de problemas de saúde. Alguns efeitos são rapidamente notados, como o estresse. A falta de sono produz consequências, muitas delas graves, em todo nosso organismo.


O grande problema é privação crônica de sono, que se estende por dias, meses e anos. Estudos mostram que problemas físicos, mentais e emocionais podem ocorrer em médio e longo prazo.”
Luciano Ribeiro, neurologista e presidente da Associação Brasileira do Sono

Quem acorda cedo, vai dormir tarde e espreme o tempo de sono no período que resta antes do despertador tocar acaba em dívida com o travesseiro --o nome dado para isso é restrição de sono. Quem mais sofre são os trabalhadores noturnos, que possuem o que é chamado de privação de sono.

Dormir é um comportamento fundamental para sobrevivência. Isso porque nosso corpo funciona de acordo com os ritmos circadianos, regulados pelos momentos de vigília e de sono. É o nosso relógio biológico. Quando começa a escurecer, a temperatura do nosso corpo baixa, e a redução da luminosidade induz a produção de melatonina, hormônio que prepara nosso sono.

Varar a madrugada e acordar tarde – o famoso “trocar o dia pela noite” – também bagunça nosso relógio biológico. Isso porque o sono durante o dia não possui a qualidade do sono da noite. Assim, não conseguimos o tempo suficiente para o descanso do corpo promovido pelo repouso e para a faxina da mente feita pelos sonhos.

"As pessoas acham que não precisam dormir, e não dão valor ao sono como dão a outras coisas, como aos exercícios físicos”, diz Cláudia Moreno, professora da Faculdade de Saúde Pública da USP.

Quantas horas por noite?

“As pesquisas indicam que dormir menos do que 5 h em média aumenta as chances de doenças cardiovasculares”, afirma Lorenzi. Segundo ele, o efeito da falta de sono em um ataque cardíaco não é imediato.

Contudo, é grande a frequência de problemas cardíacos que surgem quando a pessoa esta passando por período de noites mal dormidas. Um recente estudo feito na Alemanha mostrou que a privação de sono sobrecarrega o coração.

A necessidade de sono varia com a idade e de pessoa para pessoa. Bebês e adolescentes precisam dormir bem mais do que adultos. E a regra de um mínimo de 8 horas de sono não é universal.


Em média, a quantidade de sono ideal seria por volta de 7 horas.

“Algumas pessoas se sentem bem com 6 horas de sono. Acordam sem sonolência, bem-dispostas, não sentem sono durante o dia”, diz Moreno. Mas se não é esse seu caso, é porque deveria gastar mais algumas horinhas na cama.

É possível saber se estamos quites com nossos travesseiros verificando sintomas imediatos da falta de sono. Cochilar com bastante facilidade quando se está lendo, assistindo à TV, em reuniões ou no trânsito indicam nosso grau de sonolência. O Instituto do Sono possui um teste on-line em que você pode verificar se precisa dormir mais.

Dor de cabeça, cansaço e estresse são os problemas imediatos

As consequências mais agudas e imediatas da falta de sono incluem mau humor e estresse.

“Quem dorme pouco fica mais nervoso”, diz Lorenzi. Ele explica que isso ocorre porque o sistema nervoso simpático, associado à descarga de adrenalina e ao estresse, acaba mais ativo que o parassimpático, que promove o relaxamento. “A pessoa também pode sofrer com dores de cabeça, cansaço ao longo do dia, sonolência em horário que deveria estar acordada e atenta”, diz Moreno. Aí que mora o risco de consequências mais graves da noite mal dormida. “Se a pessoa opera uma máquina, pode causar um acidente”, diz a especialista.

Problemas cardiovasculares, obesidade, envelhecimento são efeitos

Quem não dorme o necessário costuma ter mais resfriados e gripes ao longo do ano. É o efeito da redução da imunidade, que faz com que as pessoas fiquem mais suscetíveis a contrair doenças. Problemas gastrointestinais também são males de quem dorme pouco. “Sono é importante para muitas funções do nosso organismo, praticamente todas”, diz Ribeiro.

A falta de sono também está associada ao ganho de peso, segundo Lorenzi. “Quanto mais privada de sono a pessoa é, maior a chance de sofrer de obesidade”, diz ele. O ganho de peso deve-se a alterações nos ciclos hormonais e ao fato de nos alimentarmos de maneira pior.

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